Jorge Colombo | LISBON REVISITED | back



(Photo by Daniel Murtagh)

Jorge Colombo was born in 1963 in Lisbon, Portugal, where he lived for 26 years, working as an illustrator and graphic designer. He created book covers and record sleeves, and was the first art director of the weekly O Independente. In 1989 he went to live in the USA, where he married artist Amy Yoes. He has lived in Chicago, in San Francisco and, since 1998, in New York city. He freelanced for countless publications, as an illustrator and also, from 2000 on, as a photographer. He was the art director of Chicago’s NewCity; of San Francisco magazine; and of Jungle Publications. In 1999 he showed at the Lisbon Bedeteca his 1990s drawings, under the title Fullerton; and in 2005 he collaborated with Inês Pedrosa on Of Big and of Small Love, a photographic novel. Since 2003 he started working on digital videos, initially restricting himself to one-minute movies, and lately moving into longer projects.

"For Lisbon Revisited, I tried to photograph the city borrowing Álvaro de Campos’ own point of view: what would catch his attention today? Since I haven’t lived in Portugal for a long time, and I seldom visit it, the changes that took place there in the 21st century trigger in me mixed feelings of enthusiasm and distance. Under certain angles, Lisbon resembles many other cities, other countries; I tried to capture such surprises. 'Triumphal Ode' was obviously the initial guideline, but the spirit of the poems of latter Campos, 'a foreigner here like everywhere else,' ended up permeating most images."


More info at www.jorgecolombo.com
Write: jc|at|jorgecolombo.com
Call: 917.653.4089

Some press (in Portuguese)

Façam o favor de entrar, senhores heterónimos
TimeOut Lisboa, 13 de Janeiro de 2009

Em 2009, a Casa Fernando Pessoa abre as portas aos heterónimos. Até Abril, o fotógrafo Jorge Colombo revisita Lisboa na pele de Álvaro de Campos. Por Catarina Mendonça Ferreira.

Se Álvaro de Campos, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, passeasse hoje pelas ruas de Lisboa, o que mais o surpreenderia seria "o tamanho das coisas -- maiores estradas, museus, estações de metro, lojas... maiores ideias". Quem o diz é Jorge Colombo, fotógrafo, ilustrador e realizador, agora convidado pela Casa Fernando Pessoa para fazer uma exposição em torno do universo de Álvaro de Campos.

Esta será apenas a primeira de muitas outras exposições que vão acontecer ao longo do ano. Em 2009, a Casa Fernando Pessoa transformar-se-á na Casa Álvaro de Campos (de Janeiro a Abril), na Casa Alberto Caeiro (de Maio a Agosto) e na Casa Ricardo Reis (de Setembro a Dezembro). Cada um destes heterónimos de Fernando Pessoa será homenageado com uma série de exposições e eventos em torno das suas obras e personalidades.

"Desafiámos Jorge Colombo, inocente e perverso criador de imagens, leitor apaixonado do mais visual e visionário heterónimo de Pessoa, a que revisitasse a Lisboa inventada pelo poeta engenheiro – uma Lisboa anti-típica, anti-turística, a cidade arquétipo de todas as cidades passadas e futuras", escreve Inês Pedrosa, directora da Casa Fernando Pessoa, a propósito desta exposição.

"Mais do que imaginar Álvaro de Campos ressuscitado na década zero do século XXI, Colombo ousou entrar nessa dimensão atemporal que era e é a de Campos para criar o poema visual da cidade absoluta, anónima e íntima, em imortal combustão."

Mas se pensa que esta é apenas mais uma exposição sobre Fernando Pessoa, engana-se. Jorge Colombo fez questão que não fosse e por isso inspirou-se. "O que não quis foi espremer ainda mais a iconografia clássica -- Baixa em sépia, poeta de chapéu, arcadas do Martinho --, porque o Pessoa continua demasiado vivo para caber em imagens de arquivo." Desta viagem ao universo de Álvaro de Campos – em que a "Ode Triunfal" de 1914 foi o mote directo, e cuja excitação Colombo tentou recriar, concentrando-se em aspectos contemporâneos de indústria, comércio, urbanismo, transportes --, resultaram 52 fotografias tiradas em Lisboa e arredores nos fins de 2008. "Passei imenso tempo em centros comerciais: grande parte da vida moderna portuguesa centra-se neles, são incontornáveis."

Para Jorge Colombo, não foi difícil escolher o heterónimo Álvaro de Campos para trabalhar. "O nosso comum expatriamento (eu nos EUA há 20 anos, ele na Escócia e etc.) facilita paralelismos. Posso manter muitos contactos e fazer muita coisa na pátria, mas do desenraizamento já ninguém me livra. E os poemas do Campos falam muito disso", conta o fotógrafo.

A viver há 20 anos em Nova Iorque, Jorge Colombo diz que, "sob muitos ângulos, Lisboa se assemelha a tantas outras cidades, no entanto há coisas que são só nossas como o pretérito imperfeito usado como imperativo. 'Era uma bica, se faz favor...' A textura das pedras, as florestas de antenas, a pachorra dos bairros." Foram estes ângulos da cidade que tocariam o poeta-engenheiro naval, caso ele andasse por Lisboa neste início do século XXI, que Jorge Colombo captou com a sua objectiva e que agora se pode ver em exposição.


Colombo reinventa olhar de Álvaro de Campos
Público, 15 de Janeiro de 2009

Lisboa Revisitada é hoje inaugurada na Casa Fernando Pessoa. Por Luís Miguel Queirós.

Que Lisboa veria Álvaro de Campos, se a visse hoje? O ilustrador e fotógrafo Jorge Colombo responde a esta pergunta nas 52 fotografias digitais que compõem a exposição Lisboa Revisitada, que é hoje inaugurada na Casa Fernando Pessoa.

Nascido, segundo o seu criador, em 1890, Álvaro de Campos, diz Pessoa numa carta, era um "extravagante decadente", que vivia "entre Londres, Glasgow e Lisboa, quando não andava no mar alto". Pessoa afirmava que a sua pátria era a língua portuguesa. Campos nem essa tinha. "Não posso estar em parte alguma./ A minha Pátria é onde não estou", escreve em Opiário.

Antes de começar a cansar-se de tudo, Campos gostava das grandes cidades e da sua vida febril. "Ehlá-hô fachadas das grandes lojas!/ Eh-lá-hô elevadores dos grandes edifícios! (...) Ó fazendas nas montras! ó manequins! ó últimos figurinos!/ Ó artigos inúteis que toda a gente quer comprar!/ Olá grandes armazéns com várias secções!/ Olá anúncios eléctricos que vêm e estão e desaparecem!/ Olá tudo com que hoje se constrói, com que hoje se é diferente de ontem!", escreve na Ode Triunfal.

Tal como Campos, Colombo vive há muito fora do país (nos Estados Unidos) e visita ocasionalmente Lisboa. E quando regressa, encontra ao mesmo tempo a cidade em que outrora viveu -- "Outra vez te revejo,/ Cidade da minha infância pavorosamente perdida...", escreve Campos em Lisbon Revisited (1929) -- e uma outra cidade que começa a não se diferenciar muito de todas as outras grandes cidades do planeta. É esta segunda cidade, cosmopolita, que se mostra nas fotografias de Lisboa Revisitada.

Ficção construída por Jorge Colombo sobre a ficção de Fernando Pessoa que o próprio Álvaro de Campos foi, esta exposição, que se poderia ter intitulado Lisbon Revisited (2009), resulta de uma fusão de múltiplos olhares. O olhar actual do fotógrafo, o olhar do Jorge Colombo que viveu em Lisboa, e que captou imagens que a sua memória conserva, o olhar do Álvaro de Campos da juventude, fascinado com as multidões de transeuntes anónimos, com o movimento trepidante dos comboios, com as manchetes dos matutinos, com as luzes feéricas dos anúncios comerciais, e ainda esse olhar angustiado do Campos final, mais parecido com o do Pessoa ortónimo, um homem sem pátria alguma, sozinho numa sala deserta, cuja alma se partiu "como um vaso vazio" e "caiu excessivamente pela escada abaixo".


Fotografia: Jorge Colombo percorre Lisboa com o olhar de Álvaro de Campos
Agência Lusa, 14 de Janeiro de 2009

Lisboa, 14 Jan (Lusa) - O ilustrador e fotógrafo Jorge Colombo inaugura quinta-feira na Casa Fernando Pessoa a sua primeira exposição de fotografia em Portugal: chama-se "Lisboa Revisitada" e é composta por imagens da cidade sobre poemas do heterónimo Álvaro de Campos. (ANC)

"Todos nós temos uma experiência qualquer relacionada com Pessoa: o primeiro momento em que lemos Pessoa, o nosso heterónimo favorito, os nossos poemas favoritos, a forma como nos identificamos com os poemas, as pessoas à nossa volta que são ainda mais entusiastas pelo Pessoa do que nós, todas as grandes obras de arte que foram feitas à volta do Pessoa... ele faz parte da nossa dieta", disse à Lusa Jorge Colombo, de 45 anos e há 20 residente nos Estados Unidos.

Nascida do desafio que lhe foi feito pela Casa Fernando Pessoa (CFP), a exposição segue a "Ode Triunfal" como guião inicial e deixa-se depois "contaminar" pelo espírito de "estrangeiro aqui, como em toda a parte" do Campos posterior.

"A 'Ode Triunfal' é um poema extremamente entusiástico, glorificando a tecnologia, a indústria, o comércio, a vida urbana, a modernidade e já que Portugal -- especialmente para quem chega de fora, como eu -- é um país tão efervescente neste momento, pareceu-me adequado interpretar o Portugal corrente segundo a óptica do Álvaro de Campos", explicou.

Nas 52 fotografias que compõem a mostra, o autor tentou captar aspectos da capital portuguesa de que o poeta-engenheiro naval poderia gostar caso "andasse" pela Lisboa de início do século XXI.

"São imagens digitais que eu recolori digitalmente, pintei por cima delas, para acentuar o seu carácter ficcional", referiu.

Na sua opinião, estas fotografias "são todas um exagero, Lisboa não é exactamente assim".

"Eu tentei, justamente, apanhar os bocados em que se vê que é Lisboa mas podia ser outra cidade qualquer, outra grande cidade internacional -- podia ser Berlim, ou Singapura, ou Los Angeles -- e ficava todo contente de cada vez que encontrava uma imagem ou uma cena que era universal", observou.

Sobre a forma como as fotografias estarão dispostas na Casa Fernando Pessoa, Jorge Colombo, também designer gráfico, indicou que primeiro fez o design do catálogo da mostra e depois viu "como é que podia reproduzir o catálogo na parede".

"Não nos esqueçamos de uma coisa: é que o catálogo é que fica, é que viaja até daqui a não sei quantos anos", sublinhou. ´

"O catálogo, no fundo, é o meu relicário Álvaro de Campos. Não só tem as imagens todas da exposição, mas também tem alguns dos meus poemas favoritos de Álvaro de Campos -- são poucos, mas é uma escolha", comentou, precisando que dois são de "Lisbon Revisited" ("Murmúrio terrível" e "Passo de noite na rua suburbana") e o outro é a "Ode Triunfal".

Esta mostra é a primeira proposta da CFP no âmbito da iniciativa de transformar ao longo deste ano a casa do poeta, na rua Coelho da Rocha, em Lisboa, na casa de três heterónimos do escritor: Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis.

É com a exposição de fotografia de Jorge Colombo sobre o universo de Álvaro de Campos, cuja inauguração será quinta-feira, às 18:30, que se inicia a "ocupação" da casa pelo primeiro heterónimo, até Abril.


© Jorge Colombo, 2009